quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

A louca, por que?





A Louca?
por Aira Corerato
de Campinas (SP)


Meus amigos dizem que sou "A Louca". Bem louca, pra ser sincera.

Mas por que louca? Será porque eu não deixo ninguém fazer piadinhas preconceituosas perto de mim? Será por que tô tentando fazer minha mãe me respeitar como eu sou, só pra gente poder ter um melhor convívio, será?

Um dia resolvi perguntar pra eles o porquê deles me chamarem de louca.

- Aira você é louca porque não tem medo de andar de mão dadas com a sua namorada, não faz questao de esconder que você é lésbica, porque você encara a sua familia e tenta fazer com que eles te aceitem do jeito que você é!

É isso?!

Juro que pensei trilhões de outras coisas menos isso. Pois eu discordo. Acho que quando não tenho medo, não me escondo e enfrento eu só estou sendo eu mesma - e pra mim isso não é loucura e sim sanidade. Pois ter que mentir, fingir e ficar de cabeça baixa, isso sim é loucura. Você finge ser outra pessoa, tem que ter duas vidas... Meu, se cuidar de uma vida dá trabalho, imagine DUAS!!

Isso sim é loucura - mas calma não estou recriminado quem tem que ser assim, até entendo o que acontece, mas convenhamos que é uma loucura essa dupla jornada!

Não poder comentar com a mãe da nova garota que você esta gostando, da boate (que você tem que ir escondida), do barzinho que você foi com seus amigos (porque não pode reunir a galera em casa)... Meu, isso sim deixa qualquer um louco.

Não nego que já fui muito "louca", tive que ter essa vida dupla e aprendi muito! Aprendi que posso ser uma boa atriz, aprendi como mentir, aprendi como esconder sentimentos, aprendi como iludir e a brincar de "faz-de-conta".

Porém, analisando tudo mesmo, percebi que eu só gastava muita energia à toa. Noites mal dormidas, só pra bolar como eu sair escondido ou como escapar daquelas benditas perguntas: "E aí, Aira, e os namoradOS, como vão?’’. Todo um tempo, toda uma energia jogada fora, que não me recompensaram em nada.

Hoje vendo tudo que tive que passar, paro e penso que devia ter gastado toda aquela energia mostrando pra minha familia que eu sou normal, que sou a mesma Aira que eles viram crescendo, e que a culpa não é de ninguém por eu ser lésbica. Mostrar a eles que da mesma forma que eles aceitaram minha irma de cabelo ondulado, enquanto a maioria tem cabelo liso, eles podem me aceitar sendo homossexual enquanto a maioria é hétero. Mostrar que não é uma questão de escolha, de vontade, e sim de ser, nascer assim!

Pelo menos hoje eles já iriam me aceitar e não ainda ficar naquela: "Tá, eu respeito, mas não aceito". Ou ainda, pior: "Pra mim, você não é mais da familia".

É todo um tempo que se pudesse voltaria atrás e mudaria essa minha história. Não esperaria mais pra ter que ser feliz de fato.

Sei que esta é uma situação pela qual a maioria passa. Mas pare e pense também: vale a pena?!? Ou é loucura minha?


Aira Corerato
tem 17 anos e é Coordenadora Política do Grupo E-jovem em Campinas

Não, eu não sou discreta!



por Àgueda Macias
de Brasília (DF)



Eu não sou discreta. E não quero ser. Sou feliz assim, com um "gay" escrito na testa. Namorando no shopping, comprando presentes de Natal com a namorada. Passando o Natal com a família da namorada. Andando de mãos dadas. Me sinto normal assim. Por que deveria ser diferente? Homens beijam mulheres em público. Eu também quero beijar a minha.
Logo que minha mãe me assumiu para tios e tias, ela ouviu uma enxurrada de "fale para a Águeda ser discreta, afinal, o mundo é cruel!" Mais cruel, para mim, é perder minha vida me escondendo. Escondendo o que sou para o mundo. Escondendo a verdade de mim mesma.

O Amor deve ser celebrado, dignificado. Não oculto e vergonhoso. Eu amo, assim como tantos outros amam, e beijam, abraçam, trocam carinhos. Eu também quero trocar carinhos. Por que isso me é negado?

Desconsiderei os apelos de meus tios. Se é para sofrer com o preconceito, prefiro que ele seja esfregado na minha cara. Não agüentaria a sensação de sufocamento ao saber que todos presumem, falam mal pelas costas, riem de mim, sentem pena do meu "desvio". Eu não tenho um desvio. Eu estou bem desse jeito, e quero que todos saibam disso.

Lésbica? Sim, eu sou. A única da família, mas isso não me deixa tímida. Isso me dá coragem para vestir a roupa de "diferente", "sapatão", "esquisita", o que mais quiserem. Desde que saibam. Desde que eu diga, na cara deles, que essa é a vida que eu escolhi para mim, e eu a amo. Não a trocaria por nada, nem por um homem, nem por um casamento, nem por aceitação social. Eu adoro o mundo gay. Eu adoro amar outra mulher. Eu adoro me sentir livre de padrões heterossexuais. Eu adoro as baladas gays (Os héteros são normais e chatos, pra mim. Entediantes.). Eu adoro a bandeira do arco-íris.

Eu gosto da subversão, do inverso, do inusitado. Quero quebrar as correntes que me prendem num gênero único e certinho: "você é mulher, usa salto, gosta de cor-de-rosa, sonha em casar de branco e ter filhos loirinhos". Eu quero gritar a todos que eu existo, assim como tantas outras, e que nós somos felizes assim. Que nós somos normais. Para que um dia não exista mais armário nem militantes, apenas igualdade e respeito.

Mas isso não acontecerá se formos todos discretos. Invisíveis. Inexistentes. A sociedade nunca mudará se nós continuarmos escondidos, marginalizados, desconsiderados. Seremos sempre a minoria negada, facilmente jogada para debaixo do tapete. Apagados dos livros de história.

Quero aparecer, quero mostrar que existo, e quero dar a cara à tapa: quem tiver algum problema comigo que fale na minha frente, pois eu assumo o que sou para você. Por que isso te incomoda? Não vou ser discreta. Quero abalar as estruturas. Quero derrubar os preconceitos. Quero que as pessoas se sintam incomodadas, afinal, quem sabe assim elas olham para além de seus próprios umbigos. Quero uma revolução. Não vou me esconder.
E quem tiver essa flama acesa dentro de si, tome a dianteira também. Vá para a linha de frente, alguém tem que fazer esse papel. Assuma. Lute contra seus próprios medos e preconceitos, eles nos matam mais que os externos. Seja você. Contagie outros a sua volta. Liberte-se. Vamos mostrar ao mundo a que viemos - e não, eu não vim ao mundo a passeio, nem para jogar minha vida no lixo enquanto outros aproveitam as suas. Quero amar, ser amada, ser respeitada, ser normal. E para isso faço minha parte. Você já pensou em como pode fazer a sua?


Águeda Macias
21 anos, lésbica e universitária

MG sedia encontro especial sobre literatura lésbica




A Editora Malagueta, especializada em editar livros para mulheres que amam mulheres, vai se unir à Livraria Café com Verso no próximo dia 06/01, a partir das 17h, para levar à cidade mineira de Gonçalves uma “Conversa sobre a Literatura Lésbica na Serra”.

O evento é gratuito e será realizado no Café com Verso, que fica na Praça Monsenhor Dutra, 246, no centro da cidade.

O encontro pretende ser um proveitoso bate-papo sobre as particularidades, delícias e dores de se fazer este tipo de literatura no Brasil.

O objetivo é fazer um panorama sobre quem está fazendo este tipo de Literatura e como é este processo criativo.

Para enriquecer a discussão, vão participar da Conversa a escritora Karina Dias – autora de “Aquele dia junto ao mar” – e as editoras Laura Bacellar e Hanna Korich, responsáveis pela Editora Malagueta.

Mais informações pelo telefone (35) 3654 1241

Lista da Escola Gay




Já foi publicada a lista dos 60 alunos selecionados para os cursos oferecidos pela primeira Escola Jovem LGBT, que vai funcionar a partir deste ano em Campinas.

Os aprovados receberão e-mails com as instruções de local, horários e documentação para fazer suas matrículas já no próximo sábado, 06/01.

Além da matrícula, os futuros estudantes vão também realizar ainda no sábado as provas de seleção de bolsas de estudo.

As vagas que não forem preenchidas serão reabertas na semana que vem para atender quem ficou na lista de espera para os cursos de Dança, Web TV e Fanzine.

Os alunos são jovens de 14 a 30 anos em sua grande maioria Gays e Bissexuais. Eles são dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais, Bahia e até do Amazonas. Dentre eles, quatro heterossexuais.

"É uma alegria ver a sociedade se abrindo para a cultura LGBT. É assim que se acaba com a homofobia," opina Deco Ribeiro, diretor da escola.

escola@e-jovem.com
(19) 3307 3764
(19) 9341 3764

Jim Carrey e Ewan Mcgregor se beijam em Cerimônia




Os atores Jim Carrey e Ewan McGregor, protagonistas do filme Gay "I Love You, Philip Morris", foram homenageados com a Ordem Nacional das Artes e Letras da França.

Os dois receberam as medalhas em uma cerimônia realizada no Ministério da Cultura, em Paris, nesta segunda-feira, 01/01.

Em um momento tiete, o ministro francês da Cultura, Frederic Mitterrand, declarou durante a cerimônia: "Eu amo você, Jim Carrey! Amo você, Ewan McGregor!"

Os dois atores fizeram a festa dos fotógrafos ao, após receberem a homenagem, trocarem um lindo beijo na boca.

McGregor e Carrey estão viajando pelo mundo para promover o filme sobre um fraudador que se apaixona por outro homem dentro de um presídio.

Rodrigo Santoro participa da produção vivendo um namorado de Jim Carrey no período antes da prisão. A produção estreia no Brasil em 27 de março.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Um pouco de Humor!




Garotinhos...olha com oque vocês estão brincando e falando por aí viuu!!!
Beijos da Tia Samara!

1º Escola Gay do Brasil terá sede em Campinas e será adminstrada pelo Grupo E-jovem!!




Uma escola gay para todos
por Deco Ribeiro

No último dia 16/12, o governo de São Paulo assinou convênios com 300 entidades culturais. O objetivo era destinar R$ 54 milhões do Fundo Nacional de Cultura, da Lei Rouanet, para os Pontos de Cultura, que tem a missão de “desesconder o Brasil”, isto é, reconhecer e reverenciar a cultura viva do nosso povo.

Dentre os projetos, havia um único destinado ao fazer e saber de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros. Uma ideia da drag queen Lohren Beauty, de Campinas, que quis criar um espaço de aprendizagem, valorização e reprodução dessa gaia cultura: a Escola Jovem LGBT, a primeira do País.

A notícia ganhou manchetes nacionais. Recebemos centenas de e-mails de jovens interessados na escola, de professores das mais diversas áreas se oferecendo para dar aulas. Mas, com as manchetes, vieram também as críticas.

Muita gente se deixou levar pelo nome “Escola Gay” ou “Escola para gays” e nem se deu ao trabalho de buscar mais informação antes de sair falando em guetos e passados sombrios. Besteira. A escola nunca se propôs a ser um ambiente fechado, só para gays. Assim como gays, lésbicas e travestis podem circular e expressar sua sexualidade em todos os lugares, qualquer pessoa, de qualquer orientação sexual, é muito bem-vinda na Escola Jovem.

Outros questionamentos foram mais inteligentes: existe mesmo uma cultura LGBT? Por que há a necessidade de estimular essa cultura? O que vão ensinar?

Vejam só: a escola nem abriu ainda e já está cumprindo seu objetivo maior que é o de estimular o debate e vencer o preconceito. Afinal, pré-conceito é um conceito formado quando há falta de conhecimento sobre determinado assunto. Para combater a homofobia, o preconceito contra homossexuais, é preciso debater, divulgar e dar visibilidade ao universo LGBT — não só entre legebetês, mas em toda a sociedade.

Para isso, a Escola Jovem LGBT possui duas estratégias. Uma é ser uma escola gay, sim, mas aberta a todos. A todos, claro, dispostos a conhecer e respeitar o universo gay. Não à minoria mais reacionária e homofóbica, irracionalmente contra os homossexuais independentemente de qualquer explicação. Essas pessoas, infelizmente, não estão abertas ao diálogo.

Nossa outra estratégia envolve oferecer ferramentas necessárias para que a própria população LGBT possa fazer o que lhe é negado: expressar-se. E aqui entra a explicação sobre o que é essa cultura LGBT e por que é essencial apoiá-la.

Cultura LGBT é a cultura que enfrenta não a cultura heterossexual, mas a cultura heteronormativa, isto é, a cultura que esmaga toda manifestação de diversidade sexual na sociedade. É a heteronormatividade que censura beijos gays nas novelas, que proíbe as escolas tradicionais de abordar a homossexualidade de maneira positiva, que força os meninos a usarem azul e as meninas, rosa. E essa cultura perversa que nega às pessoas LGBT mais de 70 direitos, como o de construir família e patrimônio, e estimula o assassinato e o suicídio de pessoas LGBT. Uma cultura fruto do machismo e da xenofobia, opressões que alimentam o sistema capitalista.

Apoiar a cultura LGBT é dar ferramentas para que o jovem LGBT se expresse e construa a cultura na qual prefere viver. É estimular esses jovens a encontrar a felicidade na diversidade, na construção de suas verdadeiras identidades, sem precisar fingir que são heteros.

Como diz Célio Turino, criador dos Pontos de Cultura, o nome surgiu do discurso de posse do ministro Gilberto Gil, que falava em “um do-in antropológico, um massageamento de pontos vitais da Nação”. A Nação para a qual olhamos não é um conjunto de estereótipos e tradições inventadas. É um organismo vivo, pulsante, envolvido em contradições e que necessita ser constantemente energizado e equilibrado.

É dessa acupuntura social que a Escola Jovem LGBT é parte. Ou seja, o que está em questão não é o que vamos ensinar, mas, sim, o que todos nós, brasileiros, vamos aprender com essa nova juventude gay.

Deco Ribeiro, jornalista e educador, é diretor da Escola Jovem LGBT, fundador do Grupo E-jovem de Adolescentes Gays, Lésbicas e Aliados (www.e-jovem.com) e conselheiro nacional de juventude junto à presidência da República